sexta-feira, 20 de março de 2015

tudo o que não deu pra fazer amanhã

Olha, meu bem, fevereiro já chegou. Eu nem vi o tempo passar. E olha que a gente espera tanto por amanhã, não é? E o que a gente deixou de fazer quando o amanhã chegou? E quando ele chegar de novo? Sim, eu sei que está muito cedo pra eu já te encher com essas perguntas loucas, desculpa. Segura esse ferro aqui pra mim? Só enquanto eu ajeito essa saia aqui na tábua. Obrigada. Toma café, deixei em cima da pia. Sim, já tem açúcar.

Eu fiz tanta coisa pra que o tempo não risse de mim. Eu tentei acordar todos desta casa no horário certo, pra que ninguém se atrasasse. Eu consertei o guarda-chuva como se fosse a minha missão de vida. Eu não me dei por satisfeita até que ele não estivesse novamente inteiro. Eu desejei boas vindas aos novos vizinhos e ah!, comprei um novo tapete pra essa porta antes de ontem. Viu? Welcome! Novinho. E eu ajudei aquela velhinha a atravessar a rua. Coloquei café no açúcar. Opa, açúcar no café. Não, me espera, só vou colocar essa saia.

Então, como eu ia te dizendo, fiz muita coisa. Mas é como se eu tivesse esquecido de fazer algo amanhã. E fica todo mundo dizendo: não deixa o tempo passar, não deixa não. Mas como assim, deixar, meu bem? Ele nem pede permissão. Eu juro, pra mim nunca pediu. Eu sei, tô falando demais, mas quer saber? A culpa é sua. Você lê aquelas coisas difíceis toda noite e quer ler pra mim e eu fico muito pensativa e logo logo já nem sei mais o que estou dizendo.

Ontem a Cristina veio aqui, você não estava. Ela já está uma moça tão grande e muito inteligente. O que você fez enquanto ela crescia? Leu coisas difíceis à noite, resolveu me deixar passar uns dias pra sempre com você, trabalhou, trabalhou e trabalhou? E ah, leu coisas difíceis pela manhã também, enquanto decide não escutar o que eu tenho a dizer para o seu bem. Pega sua pasta ali no canto. Não, meu bem, ali ó. Sabe o encontro dessas duas paredes? Matematicamente uma aresta, mas eu odeio matemática.

Obrigada, você também está lindo. Fecha meu relógio? Não consigo mais andar sem relógio, acostumei. Deixa eu ajeitar sua gravata, vem aqui. Não chama o elevador ainda não, vou pegar a lista de compras no armário. Você acha que ainda dá pra esperar até amanhã? Vou sair mais tarde hoje sim, mas daria tempo de passar no supermercado.  Mas não dá tempo de cozinhar não, é melhor você comprar o jantar. Aliás, não, vamos jantar na sua mãe. Ela nem mora tão longe e você quase não a visita. Não, meu bem, tem coisas que não dá pra deixar pra amanhã.

sobre solo e afeto



Topofilia, a relação entre lugar, memórias, afetos e pertencimento. O nosso elo com o solo. É difícil de entender só com palavras, leituras e histórias. É preciso que a gente viva essa sensação de pertencer. Desde pequena, pertenço à casa amarela da rua 14, num bairro que não recebe elogios nos jornais.

Hoje, quando me pedem meus documentos e eu entrego o comprovante de residência, eu me lembro de que as contas não vêm mais com o endereço da rua 14. Eu moro em outro lugar, mas a minha vontade é dizer para a moça do outro lado do balcão que o comprovante é falso, é só um papel. Se eu sumir, moça, você nunca vai me achar escondida num prédio.

Até a Clarice Lispector disse que, ao nascer, a primeira vontade que ela teve foi a de pertencer. Minha residência se consiste em um prédio, um tic-tac, um vai e vem e duas plantas que eu mantenho, porque elas não se importam com as janelas fechadas durante o dia. Mas o meu pertencimento não é tão restrito assim, ele tem cheiro de pé de abacate e portão de grade.

Por isso, os comprovantes de residência são falsos. Não adianta nada eu ter uma casa, se ela não me tem. Por isso que quando a gente se apresenta e diz onde mora, não devemos iludir o outro. Eu sempre digo: sou fulana, assisto, trabalho, estudo e existo aqui, mas só vivo em outro lugar. Afinal, eu e Clarice chegamos a mesma conclusão: pertencer é viver.

Se os seus olhos ainda não se sentem pertencentes a essa página e você precisa de um motivo a mais para continuar a ler as minhas viagens sobre elos e portões de grade, já me apresento: Mariana Felipe, quase jornalista, quase escritora, quase deu certo, quase anapolina, mas completamente pertencente.


quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

o mesmo erro. quem nunca?

Será que tem alguém me assistindo quando eu tento medir o espaçamento entre os meus passos, para não pisar nas linhas que dividem o concreto das calçadas?  Ou quando eu consulto a previsão do clima, esperando chuvas em agosto, que não vêm e depois eu chego a conclusão que não posso desistir, pois a minha amizade com a chuva é a última que morre? E quando eu tento explicar a mim mesma a necessidade de novos sabores de sorvete? E nos momentos em que também filosofo sobre como os guarda-chuvas são os melhores itens para uma coleção?
Caso a resposta seja sim, então, querido espectador, se você vê o que ninguém vê, não é possível que não veja o que é explícito. E eu te pergunto: Se você me assiste nesses momentos que eram secretos até eu transformá-los em palavras e jogá-los pela janela da minha casinha dentro do mundo virtual, por que ainda não me passou a receita para não cometer o mesmo erro a vida inteira?

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

sobre as nossas vontades, os dias e o amor

Eu acreditei, depois não. Fui e voltei. Considerei e desisti. Agora já penso em considerar tudo novamente.Viajei e me deu uma vontade louca de estar em casa. Já em casa, senti que não deveria ter voltado. Incrível como nunca me lembro que há um minuto antes de voltar atrás, voltar atrás não era uma possibilidade. Não mesmo. Não importa mais. Ah, me importei sim. Importei-me. Deixei falar. Calar. Viver. Partir. Morrer, não. Mas o que posso fazer? A morte é forte, mais forte que ela só o amor. Deixei amar. Deixei-me amar-me. Amei. Porque mais forte que a inconstância desses dias, só a morte. Mas o amor  sobrevive mesmo com a porta entreaberta. Com o olhar fugídio, o café na xícara pela metade, a foto anual que não foi tirada esse ano, um nós na garganta, uma representação de antes e depois, mas sem depois, ou seja, a saudade que não vivi e não vi, mas amei. E amarei. Por isso, não importa o que irá me desacreditar amanhã. O amor é mais forte que a única coisa que pode dar fim a minha inconstância e eu quero muito viver, mesmo oscilante. Amanhã, o meu amor será o mesmo.

quinta-feira, 13 de março de 2014

quando viver só é bom no ato

Quando chove desse tanto, eu nunca que posso sair pra fora. A vó diz que eu tinha que ter era vergonha de reclamar, porque menino que não come feijão, não tem saúde boa. Já que não posso achar ruim, fico com a cabeça bem encostadinha na janela, vendo os pingos d'água que descem devagarinho, mas quando encontram outros, ficam pesados e apostam corrida com o colega do lado. Mas não é só por isso que eu fico colado na janela não. Eu tenho uma irmã que estuda fora e quando ela vem pra cá, o Pedro estaciona a camionete bem no pé daquela árvore bem ali, que fica de cara com a janela. Quando eu tô encucado com as tarefas do alfabeto, eu só percebo que a Lúcia tá chegando quando eu escuto o primeiro passo dela na escada. Conto mais dezenove e pronto, ela entra pela porta do meu quarto jogando pra cima qualquer caderno que eu tenha na cara e me abraçando bem apertado, com toda a força que menina ganha depois que cresce.
Só que eu vou contar uma coisa que ninguém sabe. No mês passado, eu escutei uns passos tão fininhos, pensei que ela bem devia ter emagrecido, porque estudar cansa mesmo, eu que sei. Mas ela não chegou nunquinha e eu tive que procurar pela menina nesses quartos tudo, mas nada de encontrar nenhum sorriso pelos cantos. Decidi descer as escadas do porão e ela tava bem sentadinha, no primeiro degrau lá embaixo. Quando eu cheguei, ela bem que tentou esconder, mas eu vi que ela tinha um cigarro e eu nem tinha nada pra falar, porque ela me disse tudo com o olhar. Ela jogou o troço pra trás, me abraçou e chorava que nem o irmão bebê que o meu amigo Dinho tem, "eu não faço mais, mano, não faço mais"; eu nunca que contava nada pra vó,  do jeito que ela é, e eu pensei que eram mesmo os livros que tavam estragando a cabeça da Lúcia. Ela disse que tava muito cansada de ver aquele tanto de gente que estuda muito, que ela só queria cuidar de mim. Ela estudava, estudava sim, ia fazer as contas  como ninguém, mas queria ficar bem ali juntinho de mim. E eu dizia era o quê? Nada, ué. A gente não diz nada pros outros que falam de ficar juntinho, a gente só fica e a Lúcia não ia pensar nunca mais que precisava de fumar, porque eu não tinha problema em ficar juntinho.
Ela me perguntava: "Você sabe, Neto, que é difícil? Sabe? Eu nem sei fumar direito, eu nem tenho pose de fumar, eu nem sei conversar, mas se eu tô juntinho de você, eu entendo de tudo no mundo, porque você é um menino tão bom, ensina todo mundo a ser sabido com as coisas do coração e eu só quero saber dessas coisas, Neto." Pena que a vó não quer saber das coisas do coração da Lúcia. Eu sei que ela gosta do Pedro, mas a vó diz que ela não tá estudando pra se enroscar com peão. A vó sempre diz que peão é  muito do esperto e não trisca o dedo na neta dela. Mas eu acho que com o Pedro não é bom de dizer essas coisas. Desde que o vô morreu, a vó manda em tudo. No começo, um monte saiu, dizendo eles, mulher não manda. A vó disse que podia tudo ir embora, que se fosse preciso, ela mesma cuidava de boi, de planta, de neto e de tudo. Mas o Pedro ficou e trouxe mais uns cinco, tudo trabalhador. Eu bem que tentei lembrar a vó, da bondade do Pedro, mas ela disse que nem todo peão vê o trabalho da mesma forma, mas eles tudo vê mulher do mesmo jeito. Por isso, a Lúcia precisava ficar longe, estudando pra ser professora.
Eu nem acho que devia ser tão apertado assim pra minha irmã, mas uma mulher pra ensinar seria mesmo muito bom. Quem me ensina é o Seu João e ele não é ruim não, hein, mas ele não gosta que eu fale muito e eu gosto de aprender e conversar, contar as coisas e  nem tudo se é bom de escrever. Eu bem que explico: Seu João, é que eu não tenho ninguém pra falar das coisas. Antes, eu tinha meu amigo Dinho, mas o pai dele foi um dos que não aceitou as ordens da vó e se mandou. Agora, bem que me preocupo, porque o Dinho tinha uns cinco irmãos e ele me dizia sempre 'ai, Neto, meu pai não arruma dinheiro igual aqui, não arruma não'. O Dinho tinha preocupação de gente grande, porque eu nunca que ia pensar em dinheiro, se eu tivesse cinco irmãos.
O Seu João só sabe responder uma coisa: "Tá, agora escreve." ; mas eu continuo, porque ainda tinha coisas pra falar do meu amigo: Quando o Dinho vinha brincar aqui, eu ficava bem feliz. A gente conversava de tudo e ele tinha muitos irmãos. Nenhum foi estudar na cidade. Aí, quando ele vinha, ninguém ficava triste, porque tinha com quem brincar... ele vinha todo sossegado. _ "Tá, agora escreve." E eu tento falar de novo, pra ver se essas pessoas que ensinam as letras conseguem entender como elas funcionam na minha caixola: Seu João, tem coisa que não é boa de escrever não. Tem palavra que é bonita no ato. Amizade é palavra bonita no ato. De escrever, não. Tem "Z" e eu não gosto. Feliz também tem "z".
Lúcia não tem "Z" e agora só tenho ela e a vó, o Dinho não vem mais e a minha mãe, que chamava Zélia, morreu de dor quando eu nasci. Por isso, dá uma coisa ruim pra escrever, mas pra viver, a gente vive qualquer palavra.

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

por você

Quando eu vejo você abaixar os seus olhos como se os outros olhares fossem tão fortes ao ponto de te cegar, eu finjo não acreditar. Eu tento de todas as formas te dizer que “olha, está tocando aquela música”, mas você não escuta. Não quer ouvir ninguém que possa te dizer que sim, tem muita coisa lá fora. Eu me afasto e te deixo curtir esse medo, só pode ser medo. Mas olha, não há motivos. Talvez você só tenha acreditado nas pessoas erradas e eu posso te contar um segredo? A pessoa errada pode ser qualquer um. Já sabe onde eu quero chegar? Todo mundo acredita nas pessoas erradas. Eu sou uma delas e você também. Mas como a gente vai chegar em algum lugar se não for de mãos dadas?
Eu quero que você aceite isso de uma vez por todas: tem muita coisa lá fora. Só depende de você achar o que vai te ajudar a levantar esses olhos novamente, porque, é sério, eles não combinam com a sua roupa. E eu já passei por isso, uma pausa na história, parecida com a Guerra Fria, mas o mundo desconhecia tudo o que acontecia dentro de mim. Você pode ter certeza: esses dois pólos que brigavam dentro de mim, nunca serão tema d’uma aula de história. Isso me fez pensar que realmente, essa briga era desprezível para o mundo e dane-se. Eu tinha que me dar uma trégua, porque ninguém faria isso por mim.

Eu não achei o motivo pra uma trégua no outro. Ele é tão errado quanto eu. Você também não vai achá-lo em você, no seu vizinho, ou no seu amor. Você precisa recomeçar por aqueles que você não vê, mas estão te esperando, como aqueles donos de casas teimosas (que saem para tomar banho de chuva e se perdem). Depois que as casas voltam ao barro, os donos aparecem na TV dizendo que perderam tudo. Mas o jornalista ainda acha que pode sugar alguma coisa de quem já perdeu tudo e pergunta o que pode acontecer pela frente. Geralmente, as pessoas querem se revoltar com a chuva, mas elas sabem que é em vão e por isso, elas dizem: O jeito é recomeçar, né? É o único jeito. Por você, pelo amanhã, pelo grito entalado aí dentro, por Paris, por Deus! RE-CO-ME-ÇAR! Por mim.


ps: no dia que eu descobri o significado da palavra recomeço nos olhos tristes de uma amiga, que não combinavam com as roupas dela.

sexta-feira, 5 de abril de 2013

sobre a mesa

Ontem, uma simples cena de filme me incomodou tanto! Eu poderia ter me incomodado com a parte do cara que morreu, com a esposa dele que o traía, ou com as falas filosóficas que os personagens faziam em algum momento estranho de desabafo, mas não. Eu me incomodei com algo bem menor. Com a apatia das pessoas à mesa! Tá, eu sei que devemos sentir isso mesmo ao assistir o filme, mas não virar a noite se perguntando como isso é possível. É, como eles conseguem se manter em silêncio durante as refeições? Digo isto porque a mesa da minha casa sempre foi louca. Louca! Só de pensar nela, eu me lembro de tantas coisas...
Para começar, preciso dizer que ela é icônica. Uma mesa simples não acomodaria a família toda ( isso por que a família inclui amigos, vizinhos, revendedoras da Avon, pedintes e tios ricos e distantes, porém loucos por uma galinha caipira), então arranjamos uma mesa grande, de mármore preto, que fez a minha mãe ficar tranquila por uns dias.
Todos os dias no almoço meu pai contava as histórias de vida dele para todos, repetia a mesma piada de um tal de feijão "macaça" para os meus amigos, dizia que os filhos eram cordas do coração e gritava: "Me passa o tomate, Vanise!" ; Eu explicava que Vanise era minha irmã que nem morava com a gente, mas um dia eu me cansei e resolvi atender por Vanise mesmo.
Também no almoço, escutava do meu irmão mais velho que eu tinha sido achada na lixeira, me ressentia e gritava pela intervenção da minha mãe. Até que um dia resolvi fazer o mesmo,. Disse pro meu irmão mais novo que ele tinha sido adotado e ele foi chorar no sofá da sala, escondido. Depois que o vi, me arrependi e me conformei em sermos todos irmãos dos mesmos pais ou todos achados na lixeira, pouco importava.
Um dia, resolvi criar coragem e quando me sentei na mesa disse pro meu pai que estava pensando em namorar : O que o senhor acha?
_Mas você só tem ONZE anos! , ele respondeu.
_Não, pai! Eu tenho quatorze!
_Ah, então sendo assim, tudo bem. O que o pai dele faz da vida ?
Falando em namoro, meu cunhado também foi apresentado num dia como estes. E quando o meu pai perguntou o que ele fazia ( já tinha idade para ter terminado o ensino médio, né?) , ele respondeu que administrava uma facção de roupas com o pai dele. Isso foi até este momento, porque depois, ele virou costureiro e meu pai cobrava cuecas novas todos os dias. Não era por maldade, ele realmente pensava que meu cunhado era costureiro e fazia questão de falar todos os dias que não tinha preconceito, "não precisa se envergonhar, é uma profissão. Você faz cuecas?"
Minha melhor amiga se tornou minha melhor amiga na hora do almoço. Voltávamos da escola juntas e sempre passávamos na minha casa primeiro e eu a convidava. Lá vinha meu pai de novo, empurrar suco de graviola nela. Com o argumento mais convincente do mundo : "Seu pai é piauense, não precisa fingir que não gosta". Toma logo, amiga, antes que ele tente fazer você comer carne de bode, antes que ele traga o Nordeste inteiro para a mesa!
Quase sempre o feijão tava salgado e meu pai dizia que queríamos matá-lo, só podia! Quase sempre eu precisava de dinheiro e o meu pai me colocava no colo e me dizia: O que vocês pedem chorando que eu não faço rindo? E pronto, só bastava isso pra minha mãe dizer que não sabia o que iria fazer quando "esses meninos" crescessem chatos e mimados.
De vez em quando, minha mãe levava uns pastores para almoçar lá em casa, com suas esposas e filhos. Lógico que não eram poupados. Meu pai tinha histórias meio que profanas para o momento. Contava e ria! Juro que ele não via mal nenhum, ele não tinha nenhum preconceito. Mas quer saber ? Ninguém ligava e as visitas pastorais eram cada vez mais frequentes e alegres.
É na mesa que a minha mãe deixa as pinhas que ela compra pra mim, é lá que eu sento de noite pra conversarmos enquanto ela traça moldes de roupas e foi ali que eu vivi os momentos que me deram mais raiva no mundo, ao ponto de perder o apetite! E ri demais, ao ponto de cansar e querer comer mais.
Hoje, meu pai não conta histórias mais, nós que recontamos e re-re-recontamos todos os domingos. Mas sempre tem algo que movimenta. As amigas que chegam de última hora, os sobrinhos que sobem em cima, a  discussão sobre as notas na escola, minha irresponsabilidade de dormir, acordar tarde e nem estender a cama, as ironias que eu direciono ao meu irmão e sempre escuto : _" Eu vou dar um murro na sua cara, você sabe que eu não estou brincando! " ; Depois eu morro de rir e a gente acaba rindo junto. Agora né, porque quando criança a gente se pegava ali mesmo e eu apanhava. Ahãm, do meu irmão mais novo.
Aliás, o último domingo de páscoa foi ótimo e eu preciso deixar uma dica, gente: Quando todos estiverem calados, diga que alguma coisa está sem sal. A lei da ação e reação é sempre precisa !