quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Sem virtudes no semáforo

Gente, para quem não sabe, meu irmão escreve. Como ele já publicou ,vou colocar um texto dele aqui, o qual eu gosto muito. Espero que vocês gostem também e não me desprezem depois, hahaha


Sem virtudes no Semáforo

Ontem estive morto. Renasci na madrugada de hoje para novamente morrer amanhã. Agora, exatamente agora, nego-me a dormir. Deixo o sono atormentar-me, até ludibriar minhas últimas resistências. Creio que a recusa em dormir esteja justificada por meu apego à noite. Como é bela a noite. Sempre preparando um novo dia, acalentando as ruas, reavivando as energias. Tudo para que ao nascer do sol, as buzinas possam nos azucrinar. A noite quase não tem buzinas. Quando às ouço, consigo distingui-las facilmente. O dia é ensurdecedor... as buzinas são todas iguais... todas iguais.

Essa noite, já delirei com as aventuras dos embarcados no gra(n)ma, sonhei com as reviravoltas do lummpen e duvidei dos lobos de Hobbes. Hoje, minha única esperança é achar a resposta em que não exista mais nenhuma esperança. Seria a confirmação de meus tormentos e minha certeza final em forma de dúvida.

Em meu último cochilo consegui compreender o cavalo Senador de Calígula, a inquietude de Sócrates e a contradição de Napoleão. Não sei se devo contar-lhes sobre essas coisas. Apaziguar a fúria da juventude é ser impiedoso com os que sonham. Não lhes jogarei água fria enquanto dormem, mas deixarei que acordem tarde e saiam sem lavar os rostos.

Amanhã, terei um pouco mais de minha escravidão remunerada. Despertador, pão, café, ponto, ordem, ordem, ordem. Em verdade, não posso queixar-me do salário. Não que seja considerável. Não me resta tempo para que o gaste. Em nada adiantaria fosse muito.

Ao anoitecer, mais uma daquelas aulas chatas que assisto a uns 20 anos consecutivos. Eles ensinam que todos são iguais, mas alguns são mais iguais que outros. Ensinam que devo me acochambrar nas tetas do Estado e constituir uma família feliz, de preferência com uma loira de belos dentes. Ensinam o culto à vaidade. Alienados... creio já ter passado da idade.

Vou-me embora e retomo contato com a noite. Acho que ficarei um pouco mais acordado, imaginando algo para acreditar. Logo à minha frente vejo o semáforo de minha rua. Aparentemente ele é perfeito, exato, impessoal e democrático. Eu acredito no semáforo. Também acredito no elevador. Pensando bem, creio apenas no elevador, pois o semáforo é um pouco mentiroso...

Ele inventa uma tal de luz laranja que não significa pare ou avance. Foge à lógica medial da virtude aristotélica. Caso minha afirmação fosse anátema, deveríamos aguardar sempre o sinal laranja para iniciar a travessia. Talvez seja apenas meu desânimo com o verde, ou minha frustração com o vermelho. Prefiro o preto, o lado escuro da lua. Na verdade, não existe lado escuro da lua. A lua é toda escura.

No meu prédio – que não é meu – admiro a imponência de 22 andares. Aperto o 11, que é o meu andar. Todas as noites, ao chegar em casa, obtenho a mesma conclusão. O elevador me conduz a um meio termo objetivo. Eu acredito no elevador!

Tiago Felipe de Oliveira

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Seja primaveril

Pise os pés no orvalho da grama de manhã, bem cedo. Amanheça.Veja as flores se abrindo e as ruas se enchendo de um verde mais bonito. Siga trilhas que te levem a novos ares e lugares. Mas não se esqueça que as flores mais bonitas se abrem em nós e o vento que levanta os vestidos pode ser o mesmo que leva embora os pensamentos não mais desejados. Afinal, por mais que as estações estejam indefinidas, a maior primavera é a que acontece dentro da gente.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

da minha amiga

Sempre andava com suas borboletas, e as suas borboletas eram os seus pensamentos. Quando as borboletas corriam, ela ia atrás e todos os dias tinham borboletas novas. Viajava tranquilamente mesmo em dia de chuva, pois as borboletas estavam nela, não precisava sair para procurá-las. Soltava algumas, pois essas não mereciam ficar presas. Saíam umas atrás da outras, mas as vezes também faziam confusão ao sair...normal.
Havia também as suas lágrimas ( mesmo que poucas ), que eram como água. Água? Quando caíam no coração, molhavam o solo da esperança que fazia crescer os sonhos. E quantos sonhos! Depois, os colhia, como quem colhe flores.
Quando o dia estava cinza, os livros o coloriam.
Olhava pro vento e ria. E todos se perguntavam do que tanto ela ria. Mas, deixe-a rir...é bonito. Com tantas borboletas, águas, flores e cores, não há motivos para sorrir ?

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Marcela se foi

Estava inquieta...pegou as roupas, muitas, e guardou todas em uma mala. Exibia sem vergonha a pedra que brilhava em seu dedo, e passava a mão no rosto. Repetia sem pausa:
_ Não nasci pra essa vida. Não nasci. Você diz: " estudando, estudando, estudando..." AGORA!? Fique sabendo que o futuro é distante, bem distante.
Foi-se. Só vi o balanço da cortina...
Faz três dias que apareceu aqui um comerciante. Falava demais. Porém, levou-a com duas palavras, juras e um anel.
Há cinco anos conheci Marcela. Aqui mesmo no interior. Ela veio cuidar da mãe que estava doente e depois que a mãe morreu, derramou umas lágrimas e veio dizer-me que estava encantava com a minha formosura. Saí da casa de minha avó e passei a cuidar da venda. Marcela veio morar comigo.
Por causa dela, passei a me esforçar e estudar as letras. Marcela gostava de se exibir, girar as saias, sorrir e falar bonito. Quis acompanhá-la.
É...acabou, ? E eu achava que era amor. Deste, eu nunca soube muito. Meu me falava do amor pelo céu, pelos cavalos, pelo comércio...Mas, nunca do amor de uma mulher. Um dia fui atrevido:
_ , e o amor? Sabe ...
_ Tico, viu como o rebanho do seu tio tá bonito ?
Depois disso, nem tentei mais. Resolvi aprender sozinho. Aprendi o amor por Marcela e pelas letras. As letras ainda estão aqui e disso não reclamo jamais.
A não gostava de Marcela e mesmo tendo dito que me alertava e não queria choro depois, veio me ver. E como de costume...
_ Eu te disse, filho...essa moça ia além - Ela sempre dizia isso, mas que me importava ? Eu lembrava era do balançar da saia da Marcela - eu te disse. Ora, para com isso, menino ! Sorte sua que seu não está mais aqui pra ver isso, sorte sua! Agradeça a Deus do céu. Encosta cá a cabeça, encosta. Vem menino, encosta logo!
Encostei a cabeça e chorei tal como o menino que a falava mesmo. Fiquei sem reação por uns dias e lá veio a de novo:
_ Sai dessa cama, Tico! A venda tá lá ainda, sabia? "Cê" acha que a moça volta pra te trazer o que comer? Volta nada. Eu não entendo...tanta moça bonita aqui por essas vilas - Eu também não entendia. Pensei que por isso que o avô nunca me explicava,não entendia também - Anda, menino! Já chega!Todo mundo já sabe...acorda !
A me ama, mas do jeito dela. Antes de sair, passou pelo canto do quarto...tinha alguma coisa brilhando. Marcela deixara o anel cair ( imaginei como devia estar sentida por isso) . Minha pegou, olhou...colocou um sorriso meio esnobe no rosto :
_ Bijuteria...falso, falso !

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Quando as palavras fluem

Tenho pensado em te escrever há tempos. Mas as palavras calaram-se, como se já não existissem. Na verdade, elas existem, mas se impregnam em mim, como se eu as quisesse e eu não as quero. Pensei em gritá-las, mas como, se mal consigo falar baixo? E não convém falar baixo, pois a falta ganharia uma certa ternura e ternura é coisa boa. Não que a saudade não seja, não sei mais...
Já não escuto mais o programa das seis, pois a moça do outro lado parece estar tão feliz em falar, e ri...e ri.
Os meus pés se trocam e se confundem entre direita e esquerda. Esquerda e direita.
E o meu coração? Ele pensa em saltar do peito, o lugar que sempre o abrigou, mas agora parece muito pequeno. As vezes penso que ele se derrete e sai pelos poros...tenho suado.
Também tenho tomado chá. Sozinha, agora. Passa um pouco e me pego falando com a xícara . Imagino que deva estar rindo imaginando o diálogo. Ri aqui também.
Depois de um tempo as palavras resolveram por fim, fluir. Então, que as letras e o papel falem por mim.
Ah, e quando ler, SE ler , me retorne. Ou simplesmente, retorne. Pois, pelo o que sei , as suas palavras estão saindo com facilidade, mas ninguém soube me falar se os seus pés também não estão se trocando.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Uma parte de mim

Sou um pouco do que vejo e um pouco do que ouço, sou o que me faz rir, o que me faz chorar . Um pouco dos livros e também um pouco dos meus sonhos. Sou em uma parte, as fotos. E posso, talvez, ser um pouco - não tudo - do que você pensa. E sou ainda uma parte , sabe de que ? De mim. Mas, essa é SÓ pra mim.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Me fala, Jorge

Quando as flores do nosso jardim são roubadas e as pessoas que nos ajudavam a cuidar dele também, existe uma poção que faça a gente desaparecer, ir junto com elas ? Juro que é só por uns dias e você não vai chorar, nem sentir minha falta.Queria ter certeza que foram tiradas de mim, mas estão bem...em algum/qualquer lugar. Quer ir também ?
Só sei que quero a minha sabor melancia. Já sei,você quer sabor café.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

da confiança 2

Amizade dava valor ao vaso, e muito. Mas por descuido (não escondia de ninguém que era mais frágil que o amigo ), deixou-o cair por mais duas vezes.
Em uma próxima visita, já desgastado de tanto consertar o vaso, Amor disse-lhe com uma certa falta de esperança :
- Amizade, o presente que lhe dei era o mais valioso que eu podia. Te peço que não o deixe cair mais. Olha como as rachaduras já se espalharam...Já não tem mais a mesma beleza. Como vês, se quebrado mais uma vez, vira pó.
Amizade compreendeu. Mas certo dia, recebeu outro amigo em casa. Chamava-se Enganador. Como amizade o adorava! Ele era sempre muito simpático e atencioso. Mas, sem saber, foi traída. Enganador quebrou o vaso, pois sentiu ciúmes da união de Amizade com Amor. Ela ficou chateada e sem saber o que dizer ao amigo.
Quando contou ao amigo, ele ficou sem palavras:
- Desculpe-me amizade, não há como montá-lo de novo.
- Mas você pode amor.
- Não, tornou-se pó, apenas pó. Agorinha se dispersa pelo ar.
- E agora, Amor ?
- Ao contrário do que dizem de mim, não faço mágicas, Amizade. Me despeço por aqui.
- Para onde vai, Amor ?
- Voltarei para Realidade.
Amizade tentou encontrar forças nos outros. Mas, descobriu que tornara-se dependente de Amor. Sem ele, desfez-se e se tornou pó. Dispersou junto com Confiança.

da confiança

Existia uma cidade chamada Realidade, nela morava um homem que se chamava Amor.
Em uma de suas voltas por seu mundo, amor visitou uma cidade que se chamava Distante da realidade. Lá naquela cidade conheceu ótimas pessoas. Mas a melhor foi uma moça chamada Amizade. Depois que se conheceram, andavam sempre juntos, não faziam nada separados. Amor quis se unir ainda mais e resolveu se mudar para a cidade de Amizade. Quando chegou na casa da amiga, ela levou um susto?
- Amor, que surpresa! O que faz por aqui ?
- Ora, vim morar aqui em Distante da Realidade, amizade !
- Você sempre tão agradável, amor...
- Amizade, queria lhe mostrar o presente que eu trouxe para você. Tome.
- Amor, que lindo esse vaso! Deve ter custado tão caro, não precisava se preocupar ! Estou encantada com a beleza dele. Obrigada! Aliás,do que é feito ?
- É feito de muita confiança. Tem também respeito e carinho acompanhando. Mas, o principal é a confiança. O melhor, amizade! Mas, você merece...
- Que lindo, amor!
- Mas, preciso te dizer uma coisa, amizade...Ele não pode ser quebrado, entendeu !? Ele é muito valioso, como pôde perceber. Não deixe JAMAIS que ele caia. Carregue-o sempre com você, com o maior cuidado.
- Certo, amor. Tomarei o maior cuidado.
Depois de mais conversa, amor se despediu. Não desfazendo a união, que ficara mais forte agora com a pouca distância de suas casas.
Certo dia, amizade recebeu uma antiga inimiga sua em casa. Aliás, recebeu não. Ela entrou sem ser convidada. Era a insegurança. Amizade não reagiu, não escondeu o vaso. Deixou-o bem visível aos olhos da Insegurança, que com ciúmes, jogou o vaso no chão. Amizade, meio descuidada, não deu muita importância.
No outro dia, amor visitou novamente a amiga. Ao ver o vaso,se chateou e pediu explicações. Por sua vez, amizade explicou calmamente :
- Amor, me desculpa. Podemos consertá-lo juntos, não ?
- Podemos, Amizade...mas, espero que isso não seja preciso mais.
Depois de algum trabalho, o vaso ficou QUASE igual a antes. Apenas com algumas rachaduras bem finas, causadas pela queda. Mas, seguiram assim.

[continua...]

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Quando você quiser me dar a mão ,

a minha estará estendida. Mas, por favor, entenda que nem sempre os dedos se entrelaçarão da forma desejada .

Pensar dá trabalho

A mesa, o caderno e a caneta. Quando os viu, veio a tentação. E tudo passou a girar em torno da vontade de escrever. Mas, queria antes, saber sobre o que escrever. Por mais que tentasse, não conseguia pensar em nada. Mais branca que a folha, era a sua mente.
Depois, percebeu que pensava. Pensava em pensar em algo para escrever e não conseguir pensar em nada.
Pensou em escrever isso...e saiu assim !

A vida é tão imprevisível...

Não queira que eu diga para sempre, ou coisas desse tipo. Faço tudo dentro do previsível. Não é medo de arriscar. Tá, só um pouco. É que a vida é tão imprevisível...e quando eu tento sair do que se pode prever, a imprevisibilidade dela vem e me pega primeiro.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

né ?

Eu não falo sem pensar. Eu penso! Só não como deveria pensar .

A flor sem os cachos

No caminho para a igreja, o menino passou pelo jardim e pegou a flor mais bonita que tinha ali. Apertou-a contra o peito e pensou que a menina gostaria muito daquela flor. Colocaria talvez atrás de um de seus cachos. Ah, os cachos da menina...para cada volta de um cacho, um suspiro. Mal esperava a hora de chegar na igreja, ver a menina com os seus cachos, e depois colocar a flor atrás de um e sorrir. Com certeza ela sorriria.
Quando chegou, tremia as pernas de nervosismo esperando que acabasse logo, ao mesmo tempo em que a timidez insistia em querer que o homem lá na frente não parasse de falar nunca. Mas ele parou.
Lá fora, o menino procurou aqueles cachos por todos os lados. Quando os achou, correu. Estendeu a flor para a menina, que segurou a flor, mas não sorriu e depois continuou a correr como se aquela flor não significasse nada para ela. O menino se dividia entre tristeza e alívio, este que o abandonou quando observou a menina ir embora e deixar a flor escorrer pelas mãos...a flor caiu no chão, e ali mesmo ficou. Sem ao menos ter recebido um sorriso. Sem um cacho que a segurasse.
O menino olhou a flor, e depois fitou os cachos, que depois de um tempo desapareceram...sem a flor.




ps : Gente, quero agradecer o meu amigo Isaias ( Zainha) que arrumou o blog (: Ele sabe que eu só sabia entrar no orkut, e agora aqui...mais ou menos, confesso, rs. Obrigada Zainha !

terça-feira, 27 de julho de 2010

Eu, a cigarra...

Clara, ontem eu olhei para as estrelas e tentei falar com o meu avô. Lembra que a vovó disse que ele estaria lá? O céu estava tão bonito, Clara. Pensei que o vovô realmente era um homem de sorte. Eu gritei, gritei, mas ninguém respondeu. Na verdade, não esperava nenhuma resposta , mas pensei que talvez ele pudesse escutar os meus gritos. Só escutar mesmo. Queria que ele lembrasse de mim, mesmo em meio às estrelas. Deitei lá na grama e comecei a contar para ele as coisas que estavam acontecendo. Contei das letras, das namoradas do Jorge, do fone, de você, do bolo ...contei sobre tudo.
De repente, as estrelas começaram a se mexer. Mas, eu sabia que elas não estavam se mexendo...era o sono chegando. Meus cílios foram grudando um no outro e fez-se silêncio. Só dava para escutar a cigarra...tinha pedido que cantasse cantigas ao meu avô. Ficamos lá : eu, a cigarra, a grama, as estrelas e o meu avô. O vento estava bom...canta cigarra, pode cantar. Eu não desprezei o canto dela. Era de coração, se é que as cigarras têm um. Suponho que sim. Sonhei que estava em uma estrela com o vovô, mas ainda escutava a cigarra com um som meio distante.
A mamãe me pegou, mas isso não tirou de mim o sonho.
Eu, a cigarra,o cobertor , as estrelas e o meu avô.

Estranho

Aquele dia eu te vi, você passou do meu lado. Eu te olhei e você me deu um sorriso sem graça, meio de lado. Fiquei pensando como era estranho o fato de você ter feito parte da minha vida e o fato de sermos estranhos um para o outro. Talvez a gente mude muito rápido, ou talvez tudo a nossa volta mude muito rápido e quer saber ? Pensar nessas coisas me deixa mais confusa ainda. E sinceramente, queria me contentar em sermos estranhos, mas, eu sei o seu nome. E aí? Não se apaga assim tão facilmente. Na verdade, nem sei se apaga. Lembrei das horas de agonia que nós passamos juntos...nada agradáveis, não é ? Os ponteiros demoravam muito pra sair do lugar, davam a impressão de estarem parados. Mas, lembrei também das horas em que eles se moviam muito rápido.
A flor, o consultório, o copo, o tudo,o fio, a escada, o nada...esqueceu? Não importa o que aconteça, eu só queria te falar que eu sei o seu nome. Espero que isso não te pareça estranho.

domingo, 4 de julho de 2010

Jamais

E você me abraça, e me ama, e me acolhe, e faz tudo como deve ser . Mas, quando quiser sair do padrão, faça o que tiver vontade : grite, feche a porta por um tempo e depois até chore. Mas, uma coisa eu te peço: Não saia da minha vida. Tenho dependência até dos seus defeitos. Por favor, saia do padrão, mas jamais da minha vida.





madrecita, congratulations ! te amo !

Lá vem as namoradas de novo...

Esses dias, fiquei muito triste. Estava na sala encarando o peixe, quando o Jorge passou. Cara fechada, e meio triste, não disse nada. Foi logo para o quarto. Tentei continuar a olhar para o peixe (esse peixe deve ter ao menos, visão! ) , mas a vontade de ir ver o Jorge , me incomodava muito, só que eu não me atreveria. Ou atreveria ? Me atrevi . Quando entrei, o Jorge estava sentado na cama, com as mãos apoiadas no joelho e o rosto apoiado nas mãos. Mesmo, vendo ele assim, me atrevi mais ainda, fui falar com ele .
- Jorge, o que aconteceu ?
- Nada não.
- É com a sua namorada ?
- Deixa isso pra lá , Clara.
- Jorge, me conta . Eu não quero te ver assim não .
- Foi ela sim,fugiu com o cara do circo.
Nessa hora, eu ainda me atrevi, cheguei devagar, e sentei no colo dele, tirei as mãos dele do rosto e limpei uma lágrima que insistia em descer e disse baixinho :
- Jorge, quando eu crescer e souber escrever como gente grande, eu vou mandar uma carta pra ela e dizer assim : Olha aqui, se você resolveu fazer o número de pendurar argolas no nariz no circo e fugir com um cara que cospe fogo, problema seu. Agora, nunca mais faça descer uma lágrima do olho do meu irmão, entendeu ?! Aqui quem fala é Clara.
O Jorge riu, me abraçou e disse também baixinho :
- As vezes, as pessoas de tornam desinteressantes. Mas, isso é relativo, então, não se preocupe Clara, não se preocupe.
- Mas, então esquece. Vamos cantar Aquarela ?
- Faz o seguinte , amanhã a gente canta o que você quiser.
- Tá, mas aí você toca também. Eu não gosto de cantar sem acompanhamento.
Ele riu novamente, me abraçou novamente e disse assim :
- Isso sim é amor, Clarinha. Isso sim !Que bom que ele existe...e que bom que a inocência também existe.
- Quer que eu fique aqui ?
- Quero .
E eu fiquei. O Jorge está melhor e ainda cantamos Aquarela, com direito a acompanhamento, claro. E a próxima namorada dele vai ser melhor, mais bonita e a mamãe vai gostar dela. E eu não vou ligar se ela não me ensinar truques. Contanto que ela não tire lágrimas do Jorge, tudo bem.

O sol , o meu sol

E enquanto você esteve comigo, era o meu sol. Me acompanhava todos os dias e me ensinava a não temer a noite. E quando você teve que dizer adeus, não foi fácil . Mas, eu ainda sinto o sol. Talvez a sua luz ainda incida em mim ,ou talvez você tenha me ensinado a brilhar sozinha. Mas, de uma coisa eu sei : eu não temo a noite. Eu tenho, eu sinto o sol .


ps : Para o ausente, sempre presente, pai.

Mas, quando você diz...

se libertar, meu amigo , refere-se a que ? Não tenha medo de amar, não. Queira você ou não , nós já nascemos assim , com esse órgão que pulsa dentro da gente . Mas, não se esqueça que quando a nos entregamos, nos entregamos. aí já não dá mais para voltar atrás, você entra naquilo com todas as suas forças, com todas as suas pulsações . Quando você vê, já não sabe quem é, muitas vezes nem onde está. Só que não se preocupe, depois de um tempo, você que tudo aquilo é bobagem e que está pronto para mergulhar de novo, apesar de não mergulhar com a mesma força de antes. Te digo uma coisa : aos poucos, você entrega menos e menos pulsações. E depois, já não entrega, quer todas para você. É assim, que acontece . Não tente se libertar do "amar demais" , muitos já não entregam mais nenhuma pulsação, querem se libertar do " amar de menos". Você sabe, é o que mais acontece hoje em dia , e colocam a culpa na falta de amor. Talvez ela aconteça mesmo, mas, acontece depois, bem depois. E como tudo, se repete em outros.
Não tente, se contente .



ps : gente, esse não é muito meu estilo. Mas resolvi postar esse texto aqui, não estranhem (:

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Laços

Na hora que a mãe foi arrumar o laço do meu vestido, eu achei que estava tão lindo, mas tão lindo ! Só a mamãe pra conseguir fazer um laço daquele ! Ela me pediu que quando fôssemos para a festa, eu tomasse cuidado com ele, pois um daqueles não era fácil de fazer .
Quando chegamos a festa, eu tomei o maior cuidado com o laço. A Clara me chamou para brincar e eu disse que não, pois a minha mãe tinha feito um laço no meu vestido e eu não queria estragar. Ela fez uma cara de chata e foi embora.
Sentei num banco e fiquei lá, todos brincando e eu ...lá. De repente, eu vi um garoto pegando o coelho do mágico e puxando a orelha dele. Eu fiquei com muita raiva. Eu morrendo de vontade de ter um coelho e ele fazendo isso com o bichinho ! Fui lá e dei um tapa nele, tomei o coelho e quando me virei, senti alguma coisa nas minhas costas. Ah, o meu laço não ! Olhei e ele estava desfeito e o menino rindo. Peguei o coelho, dei pro mágico, me sentei e chorei. Chorei de raiva ! Por que essa raça inimiga chamada meninos tem que existir ? Quando a minha mãe me viu chorando, correu. Contei tudo e ela me disse que o laço do vestido não importava, o laço mais importante existia na gente.
De noite em casa, quando fui dormir perguntei pra ela o que significava o que ela tinha dito. E ela me explicou. Falou que se cada nó que a gente faz em um laço representasse amor, eu teria milhões de laços no coração dela e que isso nos unia. Eu até que entendi, entendi melhor. Ela sorriu , me deu um beijo e saiu me prometendo outro laço mais lindo do mundo. Depois disso, dormi. Na verdade, antes de dormir pensei em um plano contra a raça inimiga e esperei o Jorge chegar. Tinha saído com a namorada .

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Andando

por aí, parece que encontro sempre as mesmas pessoas que eu vejo na televisão. E fico pensando comigo mesma, o quanto as pessoas se perderam. Precisam buscá-las em outros. Talvez seja a necessidade de ser aceito, a idade, não sei. O que eu sei, é que não foram apenas os pensamentos que evoluíram...o lado ridículo também . E me desculpa, se feri, toquei na sua carência .

Adivinha,

Clara, quem o Jorge nos apresentou ontem ? A namorada dele ! Acredita !? Pois é...Se a mamãe gostou dela ? No começo não muito. Ela tem o cabelo meio azul, rosa, sei lá. Ah, e tem uma argola no nariz , igual ao menino da sexta série que mora ali na esquina. Minha mãe falou que não é o perfil de namorada do Jorge que ela sonhou, mas tudo bem.
Se eu gostei ? Bom, no começo não. Eu acho o Jorge um criança, não acha ? Pois, eu acho. Aí eu até falei isso, mas ele me mandou cuidar da minha vida. E Clara, você não sabe o melhor. Eu contei que ele tomou mamadeira até os onze anos e sabe o que ela falou ? Que achava que ele tomava até hoje!
Ela me ensinou um truque que ela faz com uma bolinha e ela desaparece. Depois eu te ensino, Clara. Depois, ela comeu comigo : bolo, com biscoito,sorvete, confeites ...aquelas misturas que eu como. Pois é, eu também não acreditei na hora, o Jorge nunca quis comer essas coisas comigo. Falando nele, ele só ficava olhando.
Na hora que ele pegou na mãe dela, eu só fiquei olhando. Aí ela veio, e segurou a minha mão também. Ela sorriu e eu só sei que sorri também. O Jorge também sorriu, mas não demonstrou.
Ela é até legal. Talvez ela consiga ser minha amiga. Mérito dela. Mas, sem ciúmes, Clara, aqui, no meu coração , cabem todos...todos.

sábado, 29 de maio de 2010

Da distância ,

eu só quero UMA coisa : que ela fique longe, bem longe de mim.

terça-feira, 25 de maio de 2010

Disseram-me ,

que a saudade é um complemento para não reclamarmos das tardes vazias. Disseram até que vai bem com chocolate quente. E é mentira, ela não vai bem com nada.
Só não me disseram o que fazer quando ela bate todos os dias na sua porta, insistindo em entrar , e quando não tem mais jeito , entra. Mais forte que você.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Lá nas estrelas...

Não , nem venha , Clara. Sabe o que aconteceu ? Ontem o meu avô foi para as estrelas, sabia ? Eu vi que todos estavam tristes ,tinha muita gente na minha casa e estranhei. Quando perguntei a mamãe ela me contou para onde ele tinha ido . Disse que ele foi para lá e o coração dele parou de bater. Sabe Clara, eu fico me perguntando as vezes : Será que ele vai demorar muito nas estrelas ? É que eu já estou com saudade ! Eu não entendi muito bem, Clara. Na verdade, eu quase nunca entendo nada, sempre me deixam por fora, e eu nem sei se acredito nisso que a minha mãe diz, mas sei que sinto falta do meu avô . Se ele tivesse me dito antes, tinha pedido para ir junto. Hoje na hora que eu acordei, eu fui lá na cama dele e encontrei a vovó sentada lá passando a mão no lugar que ele deitava. Eu perguntei se também sentia saudade e ela disse que sim. Sentei-me com ela e pedi que não se preocupasse. A mamãe tinha dito que um dia todos nós vamos para as estrelas também. Até você, Clara ! Só que uns vão antes e outros, depois. A vovó chorou e me abraçou e eu só sei que quis abraçá-la também. Ela falou que era assim mesmo. Assim mesmo como ? Olha, todos os dias eu escuto o meu coração batendo, batendo...bem aqui no peito. Se um dia eu não escutar mais, Clara, eu morro. Sério mesmo, eu morro.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Elevador

Hoje eu acordei e depois de me arrumar, saí. Desci pelas escadas. Atravessei a rua, cheguei do outro lado - o da rua. Assim eu fui...sempre procurando algo em que acreditar.É preciso.
Quando voltei, atravessei a rua, parei e me vi no lugar que antes havia sido o meu ponto de partida. Voltando ao mesmo lugar, como sempre. Ia subir pelo elevador. Talvez devesse acreditar nele, pelo menos estava me levando a algum lugar alto. Pensei por alguns segundos e decidi subir pelas escadas.
Talvez devesse acreditar em mim.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Regador

Mesmo não tendo muitas lembranças, eu não me esqueço.
Lembro que a minha avó me mandava regar as suas roseiras. Ela sabia que eu gostava e era o melhor a se fazer ali. As cores eram lindas ! Eu me perdia no meio daquelas roseiras e suas cores, brancas, vermelhas, rosas...As melhores eram as brancas. Não eram de um branco amarelado , eram brancas , brancas ...
Eu me agachei e comecei a regá-las. Achei uma borboleta linda , mas ela voou. Fez bem. Quem me dera fazer o mesmo !
De repente, senti uma gota no meu braço. Talvez o anúncio da chuva e logo o papagaio começou a gritar seu medo e o Joanito latindo correu para a sua casinha, doido para que alguma lagartixa aparecesse. E eu ? Eu continuei ali. Nunca vi necessidade em fugir da chuva, nenhuma mesmo. E ali, no quintal, na casa da minha avó e ainda na chuva, me sentia mais livre do que nunca. Não como a borboleta mas, livre.
A chuva começou a ficar forte, forte...Pensei que o céu era um regador. Um regador enorme, de pessoas. Ali, parada, tentava olhar para cima,mas as gotas me forçavam a fechar os olhos. Poderia ser uma rosa. Se o céu era um regador...
Eu fui esquecendo de tudo...
Quando me dei conta, a chuva ficava fraca, fraca...Já não chovia mais. Chuva rápida, passageira - ou não.
Entrei molhada e a vovó me perguntou se eu havia regado, mesmo tendo sido em vão. Disse-lhe que sim, não só as roseiras. Ela não entendeu. E eu, eu me sentia regada.
Desde aquele dia não me esqueci que as vezes é necessário regar-se .

domingo, 9 de maio de 2010

Peixes...

Cíntia parou e olhou para o aquário. Na verdade, nunca tinha parado para repará-lo e a mãe já o tinha colocado ali a alguns dias. Ela nunca achou graça em peixe, bicho besta ! Não faz nada, não é mesmo ? Preferia o cachorro que tinha pedido à mãe e que ainda não havia recebido, o que era triste. Já tinha prometido que cuidaria, daria banho e tudo mais, mas ainda não convencera a mãe. Tudo bem, o Jorge prometera ajudá-la. Quer dizer, na verdade não sabia. O Jorge só sabia viver com aquele fone no ouvido ou conversar no computador. Ela não sabia como se conversava pelo computador, mas o Jorge conversava. Ele era muito inteligente, isso sim !E quando pensava assim, nem se importava com os fones dele, que eram mais importantes que ela, pensava também em nunca mais lhe falar que não gostava dele. Ele não merecia, coitado. E quem sabe um dia, a ensinaria a conversar pelo computador também, não é ? Não custava tentar. Um dia ! Antes iria aprender a ler como gente grande.
Olhou o peixe novamente. A Vó lhe dissera que era um peixe palhaço. Ah, ele era até bonitinho...tinha as cores do vestido novo da Clara. Um dia ela viu um filme que tinha um peixinho assim...até que ele era engraçado. Mas, aquele ali não era muito não. Ele nem falava e o do filme falava. Mas, o Jorge quando ela era bem pequena, quer dizer...um pouco menor, disse que era só em filmes mesmo.
Não ia mais ficar olhando aquele peixe chato. Não via a hora de ganhar o seu cachorro, pelo menos ele iria latir e brincar com ela. Peixes não brincam...pra quê um peixe na sala ?
A tarde estava muito chata e aquele peixe inútil a irritava. Queria ir brincar com a Clara. Foi procurar o Jorge.

domingo, 2 de maio de 2010

Encantador

Não precisas olhar tentando achar algo que te encante.
Eu realmente acho que o encantador não se vê...
Pena que poucos sabem disso.

sábado, 1 de maio de 2010

Marcas

Quando acordou pela manhã e se olhou no espelho, levou um susto. Mas, não estava infeliz, pelo contrário, agora sim poderia se considerar feliz, muito feliz. Ficou muitos minutos se olhando no espelho e se admirando, pois agora não era mais um menino, era um homem. Agora, teria que pensar na vida, ter mais responsabilidade, mostrar aos outros a sua mudança. Teria que ser sincero com os amigos e dizer que crescera, crescera mesmo e agora teria uma vida de adulto e eles teriam que entender que na vida dos adultos não tem espaço para bolinha-de-gude ou brincadeiras ás seis da tarde. Não teria mais isso, pois agora era um homem e nem se cansava de dizer isso.Agora teria uma das tais marcas que a mãe lhe dizia que a vida deixava e que ele não sabia pois ainda era novo. Se dissesse para alguém, considerariam exagero, mas para ele não, era essa a realidade e ponto.
Foi contar ao pai e correu pelo corredor em êxtase, batendo nas portas. Quando mostrou-lhe, mudou rapidamente a face, o pai o deixara triste. Disse-lhe que era apenas uma picada de mosquito e que desse tempo ao tempo.
Deitou-se do lado do pai, abraçou-lhe , sentindo-se um pouco ridículo e dormiu. O pai tirou-lhe aquele sentimento no seu afago .
Dormiu...Sem saber que não tinha a espinha com que ele sonhara, mas que começara a aprender e que a vida tinha sim lhe deixado uma marca : a desilusão.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Sinceridade

Jorge, eu vou pedir um cachorrinho para a mamãe e se você quiser eu divido com você. Sabe, eu queria ele mais para brincar mesmo. Mas, não fica chateado, não é nada contra você, também adoro a sua companhia. Mas, é que quando a mãe te mandar ir para a escola eu não vou ficar sozinha, eu vou tê-lo aqui e ele vai ficar comigo. E se quiser, pode me ajudar a escolher o nome. Estava pensando em perguntar pra vovó, mas aí ela vai querer que eu coloque o nome da mulher da novela, não acha ? E olha, eu queria um nome muito original, que não fosse comum. Minha tia tem uns nomes em um livro lá na estante dela. Aliás, quantos livros, hein? Jorge, a mamãe disse que se eu entrar na escola, é questão de tempo e eu vou estar lendo como gente grande. Como gente grande, Jorge ! Posso estudar na mesma escola que você ? Eu te prometo, prometo, que nunca mais conto para o papai quando você sair da escola e não vier direto pra casa .Eu sei que você é mais velho e desculpa ficar falando essas coisas , eu já acho que você estuda tanto, não é ? Mas, você é meu irmão mais legal, mais lindo do meu coração. Não gosta que eu fique te falando essas coisas, né Jorge ? A mamãe disse que só me deixa ir na casa da Clara se você for comigo. Vamos ? Não, eu não disse tudo isso só pra você ir comigo, você me conhece, sabe que eu sou sincera . É assim que se fala mesmo ? Sin-ce-ra ? Jorge ? Ah não Jorge, pra que esse fone no ouvido !?

Namoradas

Odiava acordar cedo. Apesar de achar que aquela não era a pior parte. A pior parte era escovar os dentes, ardia. Lembrou que a professora tinha dito que era preciso. Mas, tinha que fazer tudo que a professora falava ? Como ela poderia ter autoridade ? Ela tinha um namorado. Foi contar para sua mãe .
_ Ora, quem te falou isso ,meu filho ? Crianças...
A maria que tinha falado e a mãe o disse que ele também teria uma namorada um dia, era normal. Bem , o Luís tinha , mas ele não queria ter. Achava nojento, argh ! Não queria pegar na mão de ninguém. E os beijos, então ? Já bastavam os da mãe e das tias que vinham no verão e não era legal ter que virar o rosto para limpar. Ele não gostava de fazer as coisas escondido. No dia que pulou o muro escondido, a mãe o dera uma bronca daquelas !Era errado.Voltou os pensamentos.
Sinceramente, achava mesmo que namorados não mereciam respeito. E ele queria ser respeitado, sabe ? Assim como o pai era e impor autoridade . Sim, os namorados não mereciam respeito. Eca !
_ Paulinho, você está atrasado, meu filho. Anda, garoto !
Animou-se. Ver a Maria sempre o deixava animado. Ah, a Maria...!