quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

mais um da primavera (que está acabando)

Jorge, só queria agradecer por responder minhas cartas. Fiquei feliz em saber que você está feliz. Aqui todos se preocupam com você, além de se preocuparem uns com os outros e com si mesmos, bem naquele momento que você conhece, onde eu quero abraçar o mundo e dizer  -Fiquem bem, por favor. Eu quero todos bem. - Mas o mundo se derrete nos meus braços e escorre pelo chão, sem remorso por ter rejeitado um abraço, porque no fundo é tão fácil ficar bem, ele que não quer.
Você era sempre feliz por aqui e carregava fones de ouvido e sabe, eu me arrependo de te falar para guardá-los tantas vezes, pois o seu fone de ouvido fazia mais barulho do que eu imaginava. As vezes eu falo pra minha mãe que queria os seus fones por aqui, ela não entende e eu digo que é por quê os dias estão tão silenciosos...ela continua não entendendo.
Quando o vovô foi para a estrela dele, eu ia no orelhão da esquina e encenava como se estivesse falando com ele e eu chorava, relutando em devolver o telefone no gancho. Aqueles orelhões nunca funcionam. Eu sei que pode parecer exagero e coisa de criança menor que eu, mas é verdade e eu prometo que não passava ninguém naquela esquina.
A vovó continua dizendo que as coisas são assim mesmo. Essas coisas nunca se cansarão de ser ? Pois eu sim. Delas, que fique bem claro. Eu não posso me cansar de mim, Jorge. Não posso mesmo. E eu o fiz quando os dias estavam muito quentes.
Aquele calor me deixava com aquele mormaço interior, meu hálito ficou quente e eu me calei. Eu sabia que a primavera estava chegando e eu precisaria ter muito fôlego para contar e cantar as coisas que ela traz. Foi nessa época que a vovó apareceu dizendo novamente para a minha mãe que as coisas eram assim mesmo e que eu ficaria uns dias no apartamento dela comendo doces.
Mas Jorge, eu não conseguia respirar naquele ar de concreto. Não havia força que me impulsionasse a respirar. Eu fechei as mãos e os olhos e me esvaí em mim mesma. Fui caindo, me encolhendo, até ficar do tamanho de um grão, que não movia nada, nem montanhas. Fiquei esperando que a chuva que abre alas à primavera chegasse. E, olha Jorge, estou brotando. Me deu uma vontade doida de ser flor. Eu sou parte da primavera. Eu mesma, euzinha, consigo rir bonito e olha! saem pétalas da minha boca! Mesmo que por uns dias eu tenha engolido areia...
Cuide da pátria, a esperança de que um dia ela poderá cuidar de você é a última que morre. E se algumas letras estiverem borradas, não ligue, eu chorei. Mas estou alegre, estou sim. É que de vez em quando saem pétalas dos meus olhos também.


quinta-feira, 8 de novembro de 2012

No Stress !

Pronto, todos já estavam arrumados. Saíram todos 15 minutos antes do que seria normal e a mãe insistia em perguntar: - Tem certeza que a sapatilha nova não está te machucando, filha?
O casal sentou na primeira fileira e esperou o espetáculo começar. Passados alguns minutos, entra o grupo. Clara estava linda e como dançava bem! A mãe cutucava o pai toda hora : - Olha o que nós fizemos, amor! - Olhando assim percebia o quanto valera a pena largar tudo para se dedicar à filha, somente a ela. De repente, Clara para no palco, fecha o punho. Todas as bailarinas param e ficam olhando quando ela começa a...gritar! É, gritar! Solta um grito, fecha a cara e sai do palco.
De noite, a mãe não consegue dormir, vira de um lado para o outro preocupada e não consegue sequer fechar os olhos. O pai insiste: - Crianças gritam, Mônica, é normal. - repetiu isso muitas vezes. Até que Mônica se decidiu: - Vou ligar para a minha mãe, Júlio. Você não está ajudando em nada.
A mãe de Mônica tinha ido passar uns dias no litoral e estava com mais duas amigas jogando baralho quando o celular tocou.
- Alô, Mãe?
- Oi? Mônica? Tudo bem?
- Oi, mãe. Mais ou menos. Tô vendo que tá bem barulhento aí, hein? Vou direto ao ponto. Hoje foi a apresentação de balé da Clarinha. Ela parou no meio da dança e começou a gritar. Não quis tocar no assunto com ela ainda. Acho que é estresse. Não sei, sinceramente.
A velha abre a boca assustada e as outras começam a cutucá-la: - O que é? O que ela está dizendo?
- Espera aí, minha filha.- Diz e vira-se para as companheiras. - A Clara começou a gritar do nada na apresentação de balé. Mônica disse que ela gritou tanto que perdeu o fôlego, tadinha. É a genética, o vô dela era asmático. Disse também algo de estresse.- Aí pronto, todas começaram ao mesmo tempo : - Fala pra Mônica levar a menina na última barraca da feira 9, lá tem uma garrafada que cura qualquer coisa ! Deixa qualquer criança calma, eu sei porque o filho da minha patroa era hiperativo e curou tudo, nunca mais o menino inventou de fazer bagunça. - De lá da cozinha, a outra gritou: Chama o padre para benzer, não pode deixar a menina assim, tadinha. Tem gente grande que espuma pela boca de estresse, imagina a menina um toquinho que é! - A velha pegou o telefone e disse : Escutou ? Última barraca da feira 9 e padre para benzer. Vou levar muitos presentes para ela na volta, quem sabe isso não cura?
- Será, mãe? Tenho medo de intimidá-la com essas coisas de remédio e tal. Li na internet que pode dar manchas brancas na pele. A senhora ainda tem aquela pomada ?
Mas a mãe de Mônica já estava gritando "TRUCO!" e a ligação foi encerrada.
No outro dia, Mônica levou Clara para a escola sem nenhuma palavra. Na saída, a menina sorriu para a mãe que já começou a articular: - Será que esses sorrisos nervosos são típicos de crianças estressadas? Ai, nossa senhora das mães perdidas! O que eu fiz com a minha filha?
Durante a tarde, derivou entre ligar e não ligar para a psicóloga. A síndica do prédio indicara uma que diziam ser ótima. Mas era melhor conversar com a Clarinha, talvez ela só quisesse tirar umas férias. A casa dos tios no Paraná seria uma ótima ideia. Sim, férias! Tudo resolvido.
 Já pouco antes do jantar, Clara entra na cozinha perguntando pelo cereal. A mãe não aguenta e pede : - Senta aí, Clarinha. Precisamos conversar. - A menina senta e olha calmamente para a mãe, que depois de articular a frase, solta : - Talvez você ainda não se sinta segura para falar sobre isso, mas qual o motivo do grito na sua apresentação de dança?
- A Ana pisou no meu pé. Aguentei uma, duas vezes, mas na terceira não deu, mãe. Não deu! Era de propósito! Gritei e saí.
- E você fala assim nessa calma? "Gritei e saí"? Por que você não me falou antes?
- Porque você não me perguntou antes? Posso ver TV agora?
Mônica ficou ali, sentada na cadeira, parada , pasma e boquiaberta...Por que os filhos têm de ser tão complicados?

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

escondida detrás daquela árvore

 É que eu tinha que limpar o baú e acabei tirando de dentro um forro de mesa, o mais bonito. Meio empoeirado...e tinha que escrever daquelas tardes em que eu colocava a mesa debaixo da árvore e a forrava com esse forro, o mais bonito. Aí você sentava à minha frente e conversava, conversava...daqueles dias que teve aventuras em lugares para mim desconhecidos, não-sei-onde-porém-longes-daqui. Trazia o mundo para a minha casinha rústica escondida de trás daquela árvore. Às vezes terça, às vezes sexta ou todos os dias do mundo, mas você vinha e eu forrava a mesa com o forro, o mais bonito.
 Mas um dia eu sentei sozinha, o vento mexendo no lenço da minha cabeça,  jogando os cabelos na minha cara , fazendo cócegas nos meus cílios. Tive tempo de contar as folhas caídas na grama e histórias para meus ouvidos, levando a minha casinha rústica escondida detrás daquela árvore para o mundo. Pensei que realmente, quando se é insano, não se percebe isso, porque o Dom Quixote não percebia e eu sou devota de São Sancho Pança. Tentava cuspir, de qualquer forma, as borboletas embrulhadas em mim, agitadas pelo tic-tac do relógio , mandá-las para a lua que já aparecia e eu tirei o forro para me servir de cobertor.  Ninguém sabe disso.
 Até um dia, o outro dia, que aquele seu amigo com ares de confiança chegou e eu disse : "Oi, ele não veio" ; mas ele com toda altura, olhou pra baixo e me disse : "Não, ele vem." ; E eu pensei bem alto mesmo para ele escutar "talvez ele ache que aqui é bem escondido mesmo"  e ele respondeu que mesmo que fosse e você se cansasse e achasse que o forro devia ser mudado, ainda viria, por medo de me magoar. Eu o encarei por um tempo e ele tinha as mãos no bolso e o vento queria levar o meu corpo, mas o meu vestido era bem pesado para o vento. Corri e fechei a porta da minha casinha, mas me lembrei de algo. Corri à mesa e ele estava sentado. Puxei o forro e num ímpeto corri e fechei a porta da minha casinha. Nesse dia, o baú recebeu o forro, esse mesmo que você sabe que eu acho o mais bonito. Eu o prendi no fundo , abaixo de trocentas e duas quinquilharias. Aí você chegou e ele já não estava. Eu quis não estar também. Você não precisava pensar em me magoar, isso te prendia à casinha rústica escondida detrás daquela árvore. E tinha uma moça com tom burlesco e aquela que não se parece daqui, que não se assemelha a simplesmente nada e a ninguém e ruas largas, em lugares não-sei-onde-porém-longes-daqui. Paredes pintadas com estampas mais bonitas que as do forro e exposições com cafeteria. Você não me magoa, não precisa achar que atravessar meia estrada e meio mundo para chegar à minha casinha rústica escond...é obrigação.
 Quando escutei três batidas na porta , me escondi no encontro das paredes, onde a visão da janela não pudesse alcançar. Me encostei, me apertei sem respirar para que nem o passarinho do relógio notasse minha presença. As batidas enfraqueceram até chegarem ao fim e de uma vez só , soltei todo o pouco fôlego que retive, num ato desesperado para ganhar mais e nesse alívio, saíram borboletas pela boca e pelo meu nariz, dançando desengonçadas frente aos meus olhos, mas não gostei : Xô, voem daqui; balançando os meus braços, acabando com o espetáculo delas. Atrevidas. Elas dançaram no teto por uns 10 ou 15 ou 54 dias, mas logo acharam abrigo na casinha do cuco   do relógio , que achou que as horas eram muitas para que ele contasse sozinho e esperto, quis dividir o ofício. Só o tempo para abafar aquela dança desordenada das borboletas que saíram de mim.
 Aí abrindo o baú, tão triste de velho querendo limpeza, vi o forro e tinha de escrever desses dias e contar que...Ah, deixa para lá !

"E as borboletas estão girando
Estão virando a sua cabeça
Quem vai girar, não quer cair
Só quer girar, não caia! "   trecho de " A Dança das Borboletas - Zé Ramalho"


segunda-feira, 13 de agosto de 2012

quem pouco fala, tem muito a não dizer

 Mas Jorge, lá no fundo senta aquele menino dos olhos baixos e os outros garotos gostam de rir dele. Ele quase não fala. De vez em quando, levanta os olhos e percorre a sala, porém calado, estático. Queria conversar ! Acho que de tanto não falar,ele tem muito a não dizer. Sim, a não dizer. É que o silêncio dos olhos, assim...pode guardar verdades, entende? E quem gostaria de escutá-las ? Até me dói um pouco as vezes, Jorge, em pensar que eu ousaria nisto. Penso também em ensiná-lo o quanto as folhas de papel em branco são ótimas em guardar segredos. Sim, talvez já sejam amigos, pois quando dividimos o silêncio com elas, não é necessário que ele se faça audível a muitos.

abaixo da janela

 Pensei que ao abrir a janela de noite, o ar estaria mais fresco. Mas sempre tem esse vento morno no meu rosto e sempre tem um casal na rua lá embaixo também. E eles vão discutir pela razão e quando se cansarem, vão dar razão um ao outro, que vai discordar e dizer que "não, o errado sou eu mesmo", quantas vezes já não vi isso? Afinal, nessa rua escura atrás do prédio não tem clima que chame à felicidade. E sempre tem a minha impaciência aqui em cima também...com aquelas luzes lá. Tudo tão escuro e tantas luzes que parecem até velas, quando eu disse "olha, eu sei o esforço, mas eu não gosto de velas. Não gosto mesmo, porque essas deixam essa sensação de nem escuro, nem claro, nem nada, as velas não são objetivas", e eu sei que você deve ter pensado a causa de ter se metido numa assim. Aí eu peguei a jaqueta na cadeira e saí, simplesmente saí. Eu já tinha visto tudo. Até a sua capacidade de comprar velas e colocá-las assim, desse modo bonitinho, por mim. Será que eu compraria velas por alguém ? Será que eu compraria seja-lá-o-que-fosse? É uma questão a se pensar.
Meu cabelo brilhando assim, caindo uma parte pela janela,  todo reluzente...eu bem que gosto. E você dizia : "seu cabelo brilha como papel laminado". Era bem idiota isso e eu nem ria por querer rir. Eu não ria por nada, porque eu já tinha visto muito e quando eu vi tudo, eu peguei minha jaqueta na mesa e saí.
A verdade é que do décimo quinto andar o mundo é menor. Eu ainda vejo um casal, que eu sei o fim da história. Que é aquele final de todas as histórias, ou que deveria ser, depende dos personagens. Aquele típico final feliz, quando você acha lindo que o outro tome toda a culpa. Mas ainda tem muito que eu não vou ver e bom que eu não veja mesmo, porque quando eu já tinha visto tudo, eu peguei a minha jaqueta na cadeira e saí.
Talvez um dia eu volte, pois que não tenho vergonha da volta e nem exijo que peguem a minha culpa. Agora, quero apenas um ar menos quente e uma lupa para ver o mundo abaixo da minha janela, amanhã.

quarta-feira, 14 de março de 2012

Eu só queria dizer...

que não quero que levante os olhos. Tenho medo de não entendê-los. Se eles me passarem algo além do que eu consigo ver, vou ficar muito tempo com dúvida, e quando eu não conseguir sossego, nem os livros ou a internet me darão a resposta.
Mas se eles não me passarem nada ? Como explicar isso aos meus , que ainda não aprenderam a lidar com a indiferença ?

a forma certa de se conjugar

Não preciso que me expliquem tanto e tirem a simplicidade do que eu digo, Jorge. O único sujeito que eu gosto é o vento que embala a folha que se soltou da árvore, depois a deixa cair , que caindo perde a cor, se decompõe no chão; E morrendo, ajuda a dar vida.
Prejudicado é você que não sabe enxergar isso.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

As vezes me dá vontade...


de ser céu. Pleno assim, distante assim...e as nuvens podem ter a forma que a minha imaginação quiser dar, qualquer forma.
Pleno, distante, versátil, menos eu.

Então, deixa comigo...

Que o nosso feliz não será final.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

O ápice não é o fim

Muitas vezes enquanto eu lia, chegava uma parte na história que eu pensava: Pronto, vai acabar aqui ! Mas não, na maioria dessas vezes, eu ainda tinha páginas para virar.
Quando o livro for seu, a história só vai acabar quando você não quiser mais escrever.

Top Five :P hahah

Oi, gente ! Eu havia dito para algumas pessoas que eu ia indicar aqui alguns livros que eu gosto. É difícil, porque eu gosto de muitos MESMO! Mas vou resumir aqui os meus cinco preferidos, aqueles que de lembrar dá vontade de não ler de novo, só para não enjoar e não deixar de gostar nunquinha. Então vamos lá !

N° 1 : A Moreninha (Joaquim Manuel de Macedo): É uma obra romântica , a primeira no Brasil , e o primeiro clássico que eu li. Na verdade, li muito nova, depois li de novo. É a história de Augusto que vai com os amigos passar o final de semana em uma ilha, onde os amigos juram que ele irá se apaixonar. O que ele não concorda, pois se diz muuuito inconstante. Na ilha, ele acaba se apaixonando pela Carolina, a moreninha. Mas esse não é o ápice da história, só que eu não vou contar o final, rs.
Acho que eu gosto tanto por ter sido o primeiro livro sério que eu li, e me prendeu. Bom, para quem gostar de romance, fica a dica, esse é BEM romântico.

N° 2 : Meu Pé de Laranja Lima ( José Mauro de Vasconcelos) : Não sei o que falar desse. Se eu lembrar a história, eu choro hahahah Para quem gosta das coisinhas que eu escrevo aqui, é um livro lindo, recheado com toda a inocência do Zezé , o protagonista. Apenas leiam !

N° 3 : Manuelzão e Miguilim (Guimarães Rosa ) : Eu estava lendo uma revista esses dias, e entre as dicas para o avanço do Brasil, tinha : O povo deve ler Guimarães Rosa. E esse é o livro mais lindo para começar. A história do Manuelzão é boa, mas a do Miguilim é simplesmente liiiiiiiinda. Ele se parece um pouco com o Zezé, da dica acima. Miguilim vê como dói ter que deixar a ingenuidade de criança, é uma passagem para ele. É muito comovente, lindo!

N°4 : O Menino no Espelho (Fernando Sabino): Eu nem gosto de histórias meio infantis, né ? hahah Eu sou suspeita para falar do Fernando Sabino, porque eu sou apaixonada na obra dele! Os livros dele sempre causam alguma reação em mim : quando eu não chorei ou refleti, eu ri MUITO. E essa história conta a infância dele, em Minas Gerais, é engraçado e mostra mais uma vez o mundo pelo olhar de uma criança, que tem como melhor amigo, o espelho. Leiam !

N° 5 : Cem Anos de Solidão ( Gabriel Garcia Marquez) : Esse livro é surpreendente, e prende. A história se passa numa cidade imaginária (Macondo), e o livro vai narrando a história da família que criou a cidade, a família Buendía, que começa com a união de um casal de primos. E o livro tem cada união ! Encontros e desencontros por várias gerações...É muito bom de ler, fica a dica.

Bom, vou colocar cinco, porque não dá pra colocar todos. Mas eu gosto de tantos, tantos, que fica difícil...depois eu falo mais. Olha, ler blogs é ótimo, assistir filmes também,mas nada substitui o livro.

ps: Ah, quero agradecer meu amigo Bruno pela mudança no blog. Eu amei essa cor, parece que tirou do meu pensamento, rss. Valeu !

Beijinhos ;*

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Só Uma Imagem...


Como se aquela imagem se perpetuasse para sempre, eu ainda vejo aquelas mãos entrelaçadas.Um gigante, com um coração enorme, com vida, experiências e fábulas. Um pequeno , com um coração enorme, com suspiros e muitos sustos pela frente. Caminhavam pela rua, como se os dois tivessem a mesma vida e o mesmo fôlego. Mas já não tinham, só que isso não importava. Tinha uma nuvem que os envolvia e chamava para um mundo só deles. E quando a gente constrói pequenos mundos, pouco importa aquele grande, que fica do nosso lado, lembrando sempre que ele está lá, com barulhos de buzinas e tratores. Nem importa. Eu só sei de uma coisa: Eu queria as minhas mãos no meio daquelas. Assim seríamos para sempre um gigante com coração enorme, uma menina com palavras flutuantes, e um pequeno. Mas tem um tic-tac irritante que me lembra sempre: O para sempre, menina,é muito limitado.

Que o Nosso Encontro Não se Perca






Não posso negar que tivemos um encontro bonito... embora simples. Sem luz de velas , sem grandes paisagens, sem chuva, sem algo de romances comuns que possa surpreender. Apenas uma sinceridade inicial que me fez querer ouvir mais... Nada de frio na barriga ou aquela sensação perturbante que dizem sentir... Verdade é que a nossa bilheteria não venderia muito... Mas tudo o que é tranquilo faz bem.
Verdade não seria se eu me dissesse suficiente para resgatar essa paz. Força nunca foi o meu forte. Força essa que eu encontro em você, capaz de rasgar esse véu espesso que tem nos separado do diáfano.
Mas que o nosso encontro se encontre novamente. Sem paredes, sem verdades absolutas, com mínimas cobranças, sem tantos sonhos futuros, para que o momento presente não seja tratado como ausente. O futuro é promessa, mas pode ser ameaça também.
As retas podem continuar paralelas, mas que seja feito um pequeno entre elas. Um laço também bonito na sua simplicidade. Que não prenda inteiramente e dê direito de ir e vir, mas que dê vontade só de vir... Sem partidas, que assim ele não partirá.
Sem silêncio, pois ele responde perguntas não muito agradáveis e esse

filme não nos deu direito a uma canção que toque no vácuo.
Mas é bonito. Com palavras. Palavras boas e baixas, pois os tons altos desfazem o encanto, que se esvai, levando a razão, já dona de si mesma e independente dos dois lados.
Apesar da paixão pela primavera, sou sempre mais feliz no outono.
Como eu já disse, queiramos apenas coisas boas, e de tanto querer, acontecem. Afinal, as armas mais poderosas são impalpáveis. Eu quero.
Que o nosso encontro não se perca.


Ps: olha eu me arriscando no romântico de novo...hahah mas é isso aí, tem que inovar, né ? As vezes o Jorge se cansa , e a minha mãe ama rs. Beijos ;*