sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

posso ?

Olha para mim, por favor. Diz o que parece comigo, eu não estou sabendo. Eu não estou conseguindo falar. Eu não quero falar, eu quero ficar calada. Posso ficar calada? E se tiver que ir? Se tiver, posso ir pra longe? Não quero ficar com os laços pela metade, ou os tenho inteiro, ou não quero. Não quero porque não tem graça as coisas pela metade, eu quero tudo. Lembra quando você dizia " Desatemos de uma vez esses laços mal atados"? Então, me deixa fazer isso. Eu quero dar o meu melhor e sei que as vezes o melhor pode parecer pouco, eu sei. E quando eu chegar lá, vou te dar um abraço e você vai sentir que valeu a pena. Mas, enquanto não chego, me dá VOCÊ um abraço,e ME faça sentir que vai valer a pena.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

O Tempo dos Cartões

Vêm descendo duas meninas, logo ali naquela esquina. Juntas, mas absortas individualmente em seus pensamentos. Está amanhecendo agora.
A da direita vem tentando se equilibrar, tropeçando na amiga de vez em quando. A da esquerda, vem caminhando exausta, mas confiante.
A da direita é Maysa. Pensa em tantas coisas. Pensa nos pais, lá longe e nos cartões que esqueceu de enviar. Como vai ser mais um ano longe deles? Pensa na amiga, coitadinha...só pensa em trabalhar, vivendo essa vida fechada. Tão ingênua a amiga, sensível. Mas, gosta muito dela, gosta mesmo. Pensa no namorado. O último que teve, no mês passado. A amiga falava que ele era tão legal, ia dar um futuro bom pra ela. Tanto faz agora.
Na esquerda, vem Luciana. Pensa em tantas coisas. Pensa nos pais lá longe. Devem ter gostado dos cartões que ela enviou. Mais um ano longe deles...Pensa na amiga, coitadinha, nunca arruma emprego, esquece de tudo, vive essa vida vazia. Tem um coração tão bobo, bom...Mas, gosta muito dela, gosta mesmo.
- Tenho tanta saudade da mãe, Lu...mas,para o interior não volto, não volto mesmo. - diz Maysa.
- Enviou os cartões?
- Enviei nada, Lu. Esqueci. O pai deve estar tão preocupado, Lu...e já tem tanta doença, coitado. Dá uma dó de pensar...
- Pois é...
- Lu, pensei que um dia a gente vai ter que se comunicar por cartões, né? Entende? Tipo assim, mudar de vida, morar em outro lugar. Casar, quem sabe.
- Pensa nisso não, demora. E é melhor eu nem esperar os meus... Vou passar na sua casa pra tomar um banho, suei só de te ver pular daquele tanto lá na avenida.
- Tenho que comprar sabonete, Lu. Nem tinha ontem. Vamos na farmácia.
- Acho que não tem farmácia aberta esta hora. Passa pouco das seis... e farmacêutico não abre no primeiro dia do ano, abre ?
- Tem que abrir. As pessoas ficam doentes todo dia .
- Esquece o sabonete, vamos para a sua casa.
Luciana ajuda a amiga a subir as escadas e Maysa pensa que esqueceu a chave, mas Luciana levou.
- Ai Lu, vou deitar aqui. Quando a gente tem muito sono a cama não parece melhor ?
- Nunca percebi. Se você diz...
- Amanhã vou enviar os cartões, não posso esquecer. Contar que não vou começar faculdade nenhuma, mas eles não precisam ficar preocupados por que logo, logo eu vou começar em um emprego novo. O vizinho disse que vai arrumar para mim, lá no supermercado. O que você acha, Lu ? Hein ?
Luciana dormiu. Maysa virou para o lado .
A época dos cartões chegaria para elas. Talvez Maysa encontrasse um bom marido, fosse para outro país, aqueles de primeiro mundo, igual o pai sempre falava. Antes passaria pelo ex-namorado com o carro novo. Ia levar a amiga, distraí-la um pouco. Mais feliz.
E Luciana...bom, talvez Luciana terminasse o curso na faculdade e tivesse sucesso. Abriria seu próprio escritório e receberia ligações do patrão pedindo que voltasse. Mas não voltaria. Maysa ia trabalhar com ela. Mais feliz.
Deitadas assim...esse tempo era distante, bem distante. " Pensa nisso não, demora. "
Maysa levantou e foi comprar sabonete para a amiga. Tão boazinha a amiga, passou o tempo todo com ela, ajudando. Se tivesse força, tinha carregado nos braços. Tinha que ter tudo ali quando ela acordasse.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

FELIZ ANO NOVO !

Que nesse próximo ano eu e você possamos cantar mais as coisas boas...Mesmo que nem todos os dias sejam bons conosco e às vezes a chuva venha e não pare só porque o nosso coração pede incansavelmente que as janelas sejam abertas e o sol tenha um espaço também. Mesmo que as pessoas tenham necessidade de ir embora e você não possa dar tchau. Ou as vezes você dê, mas esse é outro problema: a gente nunca quer dar tchau. Apenas lembre-se do quanto foi bom o tempo em que você nunca havia pensado em despedida, ok? E fique calmo, pois lá em cima...sim, eu ainda creio que lá em cima existe alguém, existe um Deus e Ele nunca deixa nada em vão. É verdade, nada. Por mais ampla que essa palavra possa ser. Eu tenho segurado na mão dEle e sentido isso.
E aprendi que a felicidade não vem banhada só de sorrisos, mas não deixa de ser felicidade. Por que ela é permanente.
Te desejo toda a felicidade! Te desejo flores, sorrisos, choros, amores, chuva, sol, sorvete, sonhos, lembranças e acontecimentos- independente de serem bons ou ruins - que te façam crescer.
Que você sorria, dance, se apaixone, ame, tenha fé, enfim...viva! Deixe pra morrer só quando você já estiver morto.