terça-feira, 27 de julho de 2010

Eu, a cigarra...

Clara, ontem eu olhei para as estrelas e tentei falar com o meu avô. Lembra que a vovó disse que ele estaria lá? O céu estava tão bonito, Clara. Pensei que o vovô realmente era um homem de sorte. Eu gritei, gritei, mas ninguém respondeu. Na verdade, não esperava nenhuma resposta , mas pensei que talvez ele pudesse escutar os meus gritos. Só escutar mesmo. Queria que ele lembrasse de mim, mesmo em meio às estrelas. Deitei lá na grama e comecei a contar para ele as coisas que estavam acontecendo. Contei das letras, das namoradas do Jorge, do fone, de você, do bolo ...contei sobre tudo.
De repente, as estrelas começaram a se mexer. Mas, eu sabia que elas não estavam se mexendo...era o sono chegando. Meus cílios foram grudando um no outro e fez-se silêncio. Só dava para escutar a cigarra...tinha pedido que cantasse cantigas ao meu avô. Ficamos lá : eu, a cigarra, a grama, as estrelas e o meu avô. O vento estava bom...canta cigarra, pode cantar. Eu não desprezei o canto dela. Era de coração, se é que as cigarras têm um. Suponho que sim. Sonhei que estava em uma estrela com o vovô, mas ainda escutava a cigarra com um som meio distante.
A mamãe me pegou, mas isso não tirou de mim o sonho.
Eu, a cigarra,o cobertor , as estrelas e o meu avô.

Estranho

Aquele dia eu te vi, você passou do meu lado. Eu te olhei e você me deu um sorriso sem graça, meio de lado. Fiquei pensando como era estranho o fato de você ter feito parte da minha vida e o fato de sermos estranhos um para o outro. Talvez a gente mude muito rápido, ou talvez tudo a nossa volta mude muito rápido e quer saber ? Pensar nessas coisas me deixa mais confusa ainda. E sinceramente, queria me contentar em sermos estranhos, mas, eu sei o seu nome. E aí? Não se apaga assim tão facilmente. Na verdade, nem sei se apaga. Lembrei das horas de agonia que nós passamos juntos...nada agradáveis, não é ? Os ponteiros demoravam muito pra sair do lugar, davam a impressão de estarem parados. Mas, lembrei também das horas em que eles se moviam muito rápido.
A flor, o consultório, o copo, o tudo,o fio, a escada, o nada...esqueceu? Não importa o que aconteça, eu só queria te falar que eu sei o seu nome. Espero que isso não te pareça estranho.

domingo, 4 de julho de 2010

Jamais

E você me abraça, e me ama, e me acolhe, e faz tudo como deve ser . Mas, quando quiser sair do padrão, faça o que tiver vontade : grite, feche a porta por um tempo e depois até chore. Mas, uma coisa eu te peço: Não saia da minha vida. Tenho dependência até dos seus defeitos. Por favor, saia do padrão, mas jamais da minha vida.





madrecita, congratulations ! te amo !

Lá vem as namoradas de novo...

Esses dias, fiquei muito triste. Estava na sala encarando o peixe, quando o Jorge passou. Cara fechada, e meio triste, não disse nada. Foi logo para o quarto. Tentei continuar a olhar para o peixe (esse peixe deve ter ao menos, visão! ) , mas a vontade de ir ver o Jorge , me incomodava muito, só que eu não me atreveria. Ou atreveria ? Me atrevi . Quando entrei, o Jorge estava sentado na cama, com as mãos apoiadas no joelho e o rosto apoiado nas mãos. Mesmo, vendo ele assim, me atrevi mais ainda, fui falar com ele .
- Jorge, o que aconteceu ?
- Nada não.
- É com a sua namorada ?
- Deixa isso pra lá , Clara.
- Jorge, me conta . Eu não quero te ver assim não .
- Foi ela sim,fugiu com o cara do circo.
Nessa hora, eu ainda me atrevi, cheguei devagar, e sentei no colo dele, tirei as mãos dele do rosto e limpei uma lágrima que insistia em descer e disse baixinho :
- Jorge, quando eu crescer e souber escrever como gente grande, eu vou mandar uma carta pra ela e dizer assim : Olha aqui, se você resolveu fazer o número de pendurar argolas no nariz no circo e fugir com um cara que cospe fogo, problema seu. Agora, nunca mais faça descer uma lágrima do olho do meu irmão, entendeu ?! Aqui quem fala é Clara.
O Jorge riu, me abraçou e disse também baixinho :
- As vezes, as pessoas de tornam desinteressantes. Mas, isso é relativo, então, não se preocupe Clara, não se preocupe.
- Mas, então esquece. Vamos cantar Aquarela ?
- Faz o seguinte , amanhã a gente canta o que você quiser.
- Tá, mas aí você toca também. Eu não gosto de cantar sem acompanhamento.
Ele riu novamente, me abraçou novamente e disse assim :
- Isso sim é amor, Clarinha. Isso sim !Que bom que ele existe...e que bom que a inocência também existe.
- Quer que eu fique aqui ?
- Quero .
E eu fiquei. O Jorge está melhor e ainda cantamos Aquarela, com direito a acompanhamento, claro. E a próxima namorada dele vai ser melhor, mais bonita e a mamãe vai gostar dela. E eu não vou ligar se ela não me ensinar truques. Contanto que ela não tire lágrimas do Jorge, tudo bem.

O sol , o meu sol

E enquanto você esteve comigo, era o meu sol. Me acompanhava todos os dias e me ensinava a não temer a noite. E quando você teve que dizer adeus, não foi fácil . Mas, eu ainda sinto o sol. Talvez a sua luz ainda incida em mim ,ou talvez você tenha me ensinado a brilhar sozinha. Mas, de uma coisa eu sei : eu não temo a noite. Eu tenho, eu sinto o sol .


ps : Para o ausente, sempre presente, pai.

Mas, quando você diz...

se libertar, meu amigo , refere-se a que ? Não tenha medo de amar, não. Queira você ou não , nós já nascemos assim , com esse órgão que pulsa dentro da gente . Mas, não se esqueça que quando a nos entregamos, nos entregamos. aí já não dá mais para voltar atrás, você entra naquilo com todas as suas forças, com todas as suas pulsações . Quando você vê, já não sabe quem é, muitas vezes nem onde está. Só que não se preocupe, depois de um tempo, você que tudo aquilo é bobagem e que está pronto para mergulhar de novo, apesar de não mergulhar com a mesma força de antes. Te digo uma coisa : aos poucos, você entrega menos e menos pulsações. E depois, já não entrega, quer todas para você. É assim, que acontece . Não tente se libertar do "amar demais" , muitos já não entregam mais nenhuma pulsação, querem se libertar do " amar de menos". Você sabe, é o que mais acontece hoje em dia , e colocam a culpa na falta de amor. Talvez ela aconteça mesmo, mas, acontece depois, bem depois. E como tudo, se repete em outros.
Não tente, se contente .



ps : gente, esse não é muito meu estilo. Mas resolvi postar esse texto aqui, não estranhem (: