segunda-feira, 28 de junho de 2010

Laços

Na hora que a mãe foi arrumar o laço do meu vestido, eu achei que estava tão lindo, mas tão lindo ! Só a mamãe pra conseguir fazer um laço daquele ! Ela me pediu que quando fôssemos para a festa, eu tomasse cuidado com ele, pois um daqueles não era fácil de fazer .
Quando chegamos a festa, eu tomei o maior cuidado com o laço. A Clara me chamou para brincar e eu disse que não, pois a minha mãe tinha feito um laço no meu vestido e eu não queria estragar. Ela fez uma cara de chata e foi embora.
Sentei num banco e fiquei lá, todos brincando e eu ...lá. De repente, eu vi um garoto pegando o coelho do mágico e puxando a orelha dele. Eu fiquei com muita raiva. Eu morrendo de vontade de ter um coelho e ele fazendo isso com o bichinho ! Fui lá e dei um tapa nele, tomei o coelho e quando me virei, senti alguma coisa nas minhas costas. Ah, o meu laço não ! Olhei e ele estava desfeito e o menino rindo. Peguei o coelho, dei pro mágico, me sentei e chorei. Chorei de raiva ! Por que essa raça inimiga chamada meninos tem que existir ? Quando a minha mãe me viu chorando, correu. Contei tudo e ela me disse que o laço do vestido não importava, o laço mais importante existia na gente.
De noite em casa, quando fui dormir perguntei pra ela o que significava o que ela tinha dito. E ela me explicou. Falou que se cada nó que a gente faz em um laço representasse amor, eu teria milhões de laços no coração dela e que isso nos unia. Eu até que entendi, entendi melhor. Ela sorriu , me deu um beijo e saiu me prometendo outro laço mais lindo do mundo. Depois disso, dormi. Na verdade, antes de dormir pensei em um plano contra a raça inimiga e esperei o Jorge chegar. Tinha saído com a namorada .

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Andando

por aí, parece que encontro sempre as mesmas pessoas que eu vejo na televisão. E fico pensando comigo mesma, o quanto as pessoas se perderam. Precisam buscá-las em outros. Talvez seja a necessidade de ser aceito, a idade, não sei. O que eu sei, é que não foram apenas os pensamentos que evoluíram...o lado ridículo também . E me desculpa, se feri, toquei na sua carência .

Adivinha,

Clara, quem o Jorge nos apresentou ontem ? A namorada dele ! Acredita !? Pois é...Se a mamãe gostou dela ? No começo não muito. Ela tem o cabelo meio azul, rosa, sei lá. Ah, e tem uma argola no nariz , igual ao menino da sexta série que mora ali na esquina. Minha mãe falou que não é o perfil de namorada do Jorge que ela sonhou, mas tudo bem.
Se eu gostei ? Bom, no começo não. Eu acho o Jorge um criança, não acha ? Pois, eu acho. Aí eu até falei isso, mas ele me mandou cuidar da minha vida. E Clara, você não sabe o melhor. Eu contei que ele tomou mamadeira até os onze anos e sabe o que ela falou ? Que achava que ele tomava até hoje!
Ela me ensinou um truque que ela faz com uma bolinha e ela desaparece. Depois eu te ensino, Clara. Depois, ela comeu comigo : bolo, com biscoito,sorvete, confeites ...aquelas misturas que eu como. Pois é, eu também não acreditei na hora, o Jorge nunca quis comer essas coisas comigo. Falando nele, ele só ficava olhando.
Na hora que ele pegou na mãe dela, eu só fiquei olhando. Aí ela veio, e segurou a minha mão também. Ela sorriu e eu só sei que sorri também. O Jorge também sorriu, mas não demonstrou.
Ela é até legal. Talvez ela consiga ser minha amiga. Mérito dela. Mas, sem ciúmes, Clara, aqui, no meu coração , cabem todos...todos.